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EJA: como terminar o ensino médio pode destravar sua vida profissional

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Concluir o ensino médio pelo EJA aumenta em 9,4 pontos percentuais a chance de emprego formal e eleva a renda em até 10%. Entenda por que essa etapa muda o jogo.


Tem uma coisa que muita gente carrega em silêncio. Não é falta de esforço, não é falta de inteligência. É um detalhe que ficou para trás num momento difícil da vida — o ensino médio que não foi concluído. E que desde então pesa na hora de pegar uma vaga melhor, pedir promoção ou simplesmente crescer na carreira.

Esse peso tem nome no mercado de trabalho. E os dados mostram que ele é maior do que a maioria das pessoas imagina.

O que a falta do ensino médio custa na prática

Entre os trabalhadores sem ensino fundamental completo, apenas 38,4% estão em empregos formais. Entre os que concluíram o ensino médio, esse número sobe para 65%. Quase 27 pontos percentuais de diferença — só pelo diploma.

No Brasil de 2026, 57,8% dos jovens ocupados estão em empregos formais, com carteira assinada. Mas o perfil dos que ficam na informalidade tem uma característica em comum: concentração em funções que não exigem qualificações específicas. Aproximadamente 84% dos jovens empregados em ocupações generalistas no comércio e serviços recebem até 1,5 salário mínimo.

Trabalho sem carteira significa sem FGTS, sem décimo terceiro, sem licença médica garantida, sem aposentadoria construída. Significa que qualquer instabilidade na vida bate com mais força porque não tem rede de proteção embaixo.

A economia brasileira poderia gerar R$ 66 bilhões a mais por ano em rendimentos do trabalho caso parte da população sem escolaridade básica concluísse os estudos — valor equivalente a cerca de 0,6% do PIB. O impacto não é pequeno. E boa parte dele está nas mãos de quem decide voltar a estudar.

O que o EJA entrega de concreto

A Educação de Jovens e Adultos não é um atalho para fingir que o ensino médio foi feito. É uma modalidade oficial, regulamentada pelo MEC, que adapta o ritmo e o formato do ensino para quem está na vida adulta — com trabalho, família e obrigações que não param.

Pesquisa encomendada pelo MEC em parceria com a Unesco mostra que concluir o ensino médio pelo EJA eleva a renda em 6% na média geral e em 10% para quem está na faixa dos 26 aos 35 anos. A chance de conseguir emprego formal aumenta 9,4 pontos percentuais.

Para jovens entre 19 e 29 anos, concluir a EJA aumenta em 7 pontos percentuais as chances de conseguir emprego formal e eleva, em média, 4,5% a renda mensal. Para quem vive em situação de vulnerabilidade, esses avanços podem significar deixar a informalidade, acessar benefícios trabalhistas e construir uma trajetória profissional mais estável.

E os efeitos não param no salário. A pesquisa aponta que os efeitos positivos na vida de jovens e adultos são imediatos. Alexandre da Silva, 43 anos, formou-se em Sistemas de Informação após ter passado pelo EJA. “Estudar no programa me incentivou a buscar uma faculdade”, afirmou. Hoje, trabalha como engenheiro de software.

O EJA não é o fim do caminho — é o que abre o próximo.

Por que as pessoas adiam e o que fazer diferente

O público-alvo da EJA é bastante diverso, e os fatores que aumentam o risco de evasão revelam exatamente quem são essas pessoas: estar empregado com jornada superior a 20 horas semanais, ser mais velho, viver em área rural ou ser responsável pelo domicílio são elementos que dificultam a continuidade.

Em outras palavras: as pessoas que mais precisam do diploma são exatamente as que têm mais dificuldade para frequentar uma escola convencional. A rotina não para, o trabalho não espera, os filhos precisam de atenção.

É por isso que o formato importa tanto quanto o conteúdo. Um EJA que exige presença rígida em horário comercial não serve para quem trabalha em turno. Um EJA que não considera a realidade de quem já tem responsabilidades adultas acaba sendo mais uma tentativa frustrada.

O caminho que funciona é o que cabe na vida real — com flexibilidade de horário, conteúdo direto e duração compatível com quem não tem anos de sobra para esperar.

O que muda depois que o diploma chega

O certificado do EJA tem o mesmo valor legal do ensino médio regular. O mesmo documento. O mesmo reconhecimento para concursos públicos, para a CLT, para o ingresso na faculdade, para o ENEM. Não existe hierarquia entre os dois — existe apenas um e outro caminho para chegar ao mesmo destino.

O relatório do MTE sobre jovens no mercado de trabalho é direto: elevar a escolaridade por meio de políticas como a EJA profissionalizante é um dos caminhos centrais para uma inserção mais qualificada no mercado. Não como medida compensatória — como estratégia de desenvolvimento profissional real.

Quem tem o ensino médio completo concorre a mais vagas, negocia salário a partir de outro patamar e tem acesso a benefícios que a informalidade nunca vai oferecer. Não é pouca coisa. É a base que faltava.


O Centro Universitário IBRA oferece o EJA com flexibilidade de horário e formato pensado para quem já trabalha. Conheça as condições em ibra.edu.br e entenda como concluir essa etapa sem precisar parar tudo.


Fontes:

  • MEC/Unesco — Pesquisa sobre retornos econômicos da EJA (setembro 2025)
  • Fundação Roberto Marinho e Itaú Educação e Trabalho — EJA: Acesso, Conclusão e Impactos (2025)
  • MTE/PNAD Contínua Q1 2026 — Os jovens no Brasil: Permanências e necessidades de mudança
  • IESP-UERJ — Rede EJA e Inclusão Produtiva (julho 2026)
  • Correio Braziliense — EJA e mercado de trabalho (julho 2026)
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